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segunda-feira, junho 20, 2005

...Ao desencanto que me trazem certas pessoas

A semana que passou trouxe-me dias de desencanto.
A minha amiga Ana C., para me transmitir força (como sempre) ofereceu-me este poema:
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
//Sophia de Mello Breyner Andersen

Numa semana em que tive tantos dissabores, numa semana em que morreram três pessoas "contra a corrente", as palavras de Sophia parecem explicar tudo!
Por mais que doa, não penso que possa começar agora a usar máscara. Por causa disso aparecem-me muitas vezes "perigos". Mas sou o que sou. Apesar da dor, penso que posso tornar o sofrimento opcional. Opto assim por (tentar) não sofrer e por continuar.
... E perdoem-me, mas não sou como eles!

2 Comments:

At terça-feira, junho 21, 2005, Anonymous karlmarx said...

É um velho poema da Sophia, que ficou célebre talvez a partir da altura em que o Francisco Fanhais o cantou. É um poema cheio de força.
E "força" é algo que sabemos que existe dentro de ti, nesta hora má.

"Quem parte
deixa sempre uma parte,
deixa sempre um pedaço
do que construiu"

é também de uma velha canção. Seguramente que quem partiu deixou em ti uma construção.
Força e coragem!

 
At terça-feira, junho 21, 2005, Anonymous Anónimo said...

Como diria uma das autoras minhas preferidas - Maria João Lopo de Carvalho - "Palavra de Mulher"!
Tua Amiga Ana C.

 

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